sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

SUS

SUS !
Paulo Toledo

O sus do título acima, não é a sigla do Sistema Único de Saúde. Este sus! O dicionário define como expressão para infundir ânimo e coragem. Foi dele que eu me lembrei hoje.
Sim, velho e calmo coronel aposentado, eu me lembro que eu já fui bravo, fui valente. Mais que isso: eu já fui uma fera. Porem, isso faz muito tempo e eu era apenas um menino que foi derrubado, literalmente, meio sem querer, na E P F ( Escola Preparatória de Fortaleza), escola do Exército Brasileiro que pegava meninos, como eu, de dezesseis anos e “preparava” para ir para a Academia Militar, onde se formavam os oficiais do glorioso Exército.
Nesta escola a meninada acordava às cinco horas da manhã e, na instrução militar, era o tempo todo atiçada contra os inimigos da Pátria Amada, Salve! Salve! E, nas aulas do ensino fundamental: Português, Matemática, História, Geografia e línguas; os professores não davam a mínima atenção para ela. Só havia cobrança.
A E P F era uma escola de guerra. Lá eu não me lembro de não ter ouvido a palavra paz, uma única vez. Seu lema era: “Para frente ! Custe o que custar!”. Esse tal lema era sempre lembrado pelo seu comandante, Coronel Rangel, apelidado de “cachorrão”.Ele fazia questão que a meninada, estufasse o peito e gritasse, à plenos pulmões: “custe o que custar!” Toda vez que ele entrava no auditório e erecto, em posição de sentido gritava:
Cadetes! Para Frente!
Todos nós, então, estávamos “na ponta dos cascos”. Porem, depois dos primeiros meses de escola e daquele regime de amargar, em um domingo de folga, eu estava com meu amigo inseparável daquela época longínqua, na Praça Cristo Rei, que fica em frente à escola, olhando para igreja lá existente. Questionávamos toda a beliquosidade da nossa escola e divagávamos sobre literatura, poesia, música e, principalmente sobre as pernas finas das meninas de Fortaleza; quando veio a idéia de ir até a igreja. Talvez se a gente rezasse um pouco a nossa braveza, o nosso espírito guerreiro, ficasse mais amenizado.
Ledo engano, na igreja do Cristo Rei, era a hora da missa dos cadetes católicos da minha escola, que era rezada pelo Capelão Militar. Dela eu sai mais guerreiro ainda, com os versos de um cântico que ainda guardo na memória:
“Levantai-vos Soldados de Cristo!
SUS! Correi! Voai à vitória.....
Não nascemos senão para a luta
De batalha, amplo campo é a terra
Jamais finda, é constante esta guerra
É herança dos filhos de Adão
SUS! Segui este Rei glorioso....
Esforçai-vos constante na luta...
Fortaleza circunde voss’alma...
Na segura e eterna mansão”
Como a imagem que eu hoje eu tenho do Cristo: paz, perdão, mansidão e compaixão. Penso que este SUS! Pra isso, SUS! pra aquilo pode até formar um idealista; mas pode também transformar um idealista num fanático e até do fanático fazer um “homem bomba.
Sus Credo! Ou melhor: Cruz credo!

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