JANELA
Paulo Toledo
Uma janela muito famosa é a do Príncipe dos Poetas Olavo Bilac, que cantou:
“Ora (direis) ouvir estrelas”! Certo
Perdeste o senso. E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto.
E abro a janela, pálido de espanto.”...
Outra janela também muito poética é a do fadista português, que da janela, todos os dias, via passar a Rosinha dos limões: catita, com o seu vestido de chita, faceira e namoradeira. No fado ele diz que ficou tão fascinado que: “qualquer dia por graça, ia comprar limões à praça, para depois casar com ela.”
Na nossa música popular, tem uma letra do Tom Cleber para música de forró, na qual Gilberto Gil faz o maior sucesso cantando e esperando na janela, ai, ai. E, tem aquela coitada da Carolina do Chico Buarque, pobre e alienada, que ficou na janela e não viu a vida passar.
Lá na minha terra, São José do Congonhal, a janela que ficou famosa foi a de uma donzela que, como as outras, seu pai também era uma fera. Então não podendo namorar de dia, à noite amarrava um barbante comprido no dedão do pé e o jogava pela janela do quarto, Em plena madrugada, seu amado puxava aquele barbante maravilhoso e então era acolhido, no aposento proibido e na quenturinha dos cobertores.
Afinal, por falar em janela, as que não podem ser esquecidas são as de Caratinga. Lá elas eram três, onde se debruçavam dia e noite, três velhinhas, cada uma na sua respectiva janela, elas ficavam em uma casa assobradada no centro da cidade, onde bisbilhotando todos os passantes, as “meninas” dominavam e espalhavam todas as fofocas locais. E foi daí, que as vítimas das fofocas mais pesadas se vingaram, batizando as três anciãs: Peidolina, Merdolina e Mijardélia. Respeitosa e definitivamente.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
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