quarta-feira, 7 de novembro de 2012
RÉQUIEM PARA O VELHO CHICO
Caros amigos, sócios do Rancho de Maria da Cruz e seus assíduos freqüentadores,
“Não há bem que sempre dure ou mal que não acabe”, isto é, nada dura para sempre. Ainda bem que as coisas funcionam desse jeito. O fim daquilo que foi bom, pode ser muito difícil, mas com o tempo, a idade chega e como esse fim se torna inevitável, temos que estar preparados para isto. Pois, a milenar sabedoria budista diz: “A única coisa permanente é a impermanência das coisas”.
Assim, quando o velho pescador faz a sua derradeira pescaria no Velho Rio São Francisco, navegando por ele ou admirando as suas margens e sua beleza fascinante, sempre lhe vêm à mente coisas tão antigas que ele fica desconfiado que, neste cenário, haja mesmo existido em outras vidas, pelas quais tenha passado como um ser vivente qualquer: talvez um sapo, um peixe, um índio ou mesmo um crocodilo, como se proclamava João Guimarães Rosa.
Esse rio foi como uma mãe generosa que tudo deu: alimentou, lavou, fertilizou e criou gerações. Rio que foi rico e hoje, super maltratado, nada mais pode dar para o povo pobre, bom e simples que habita às suas margens e também para aqueles que muito lhe amam e dele receberam no passado o prazer de abundantes pescarias.
Rio do folclore, da música, da poesia, do foguetório e do caboclo d’água, hoje apenas uma assombração brincalhona.
Rio do Rancho da Dona Arcanja, do Tonho, do Zú, da Fatinha, do Zé Capeta e dos meus muito caros amigos e companheiros de pescarias memoráveis.
Em resumo, o velho pescador, pela sua idade e condições físicas, está se despedindo do velho rio que também está esgotado. No entanto, leva consigo a sua imagem como o poeta Manuel Bandeira levou do seu “beco”, isto é, “intacta e suspensa no ar”, no momento em que ele diz:
“ADEUS PARA NUNCA MAIS”
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