quinta-feira, 15 de novembro de 2012

VITOR FUMAÇA

VITOR FUMAÇA Paulo Toledo Conheci, nestes longos anos de vida, gente da mais variada espécie e alguns foram meus diletos amigos. Nesse grande elenco tinha gente: alta, baixa, gorda, magra, negra, branca, mulata, velha, moça, bonita, feia e etc... A maioria desse povaréu levava uma vida quase que normal. Porém, o Vitor Fumaça se destacava. Ele era diferente e especialíssimo. Mas, para mim, como amigo leal e companheiro de pescaria era insubstituível. Vitor possuía um rancho de pescaria às margens do Rio Sapucaí, no qual tudo foi feito por ele próprio, desde a alvenaria, a carpintaria e as outras coisas mais. Esse rancho era super rústico, possuindo apenas o conforto necessário para abrigar a tralha de pescaria e para que os pescadores pudessem executar um peixe frito ou ensopado, dependendo da pesca do dia. Esse era o Vitor Fumaça que eu conhecia, sem saber que no passado ele tinha sido ligadíssimo na cachaça e que depois do primeiro gole ele mudava completamente. Ficava outro. Então, ignorando esse detalhe importante e pensando em retribuir a sua parceria do Sapucaí, convidei-o para uma pescaria, de uma semana, no Rio São Francisco, com os meus companheiros do rancho de Maria da Cruz. No primeiro dia no Velho Chico, fomos eu e ele no barco, eu no piloto e ele na poita, como de costume. Ms, eis que de repente, no meio daquele rio enorme, dentro do barco, eu senti um forte cheiro de cachaça, viro para ele e pergunto: _Por acaso Vitor, tem “cangibrina” por aqui? Ele responde: _Eu não bebo. Mas, eu vi, lá do outro lado do rio, um pescador no barranco, com uma garrafa de pinga louca de fedida. Depois dessa resposta absurda, voltamos para o rancho. E, à noite, desconfiado do seu estado etílico, ele foi deixado no rancho, aos cuidados do Tonho, zelador do rancho. Portanto fora da pescaria. Quando voltamos da pescaria noturna, Tonho nos esperava à beira do barranco e foi logo dizendo: _O Fumaça aprontou. Em resumo. Vitor Fumaça tinha feito um verdadeiro comício na porta do rancho. Quando juntou gente ele disse, entre outras coisas, que teve uma “puta” decepção com a porcaria do nosso rancho, pois o dele no Sapucaí tinha três andares e uma pista de pouso para helicóptero, condução que ele usaria caso voltasse a Maria da Cruz. E, para finalizar alertou os presentes para que se cuidassem com os pescadores de Pouso Alegre, pois era gente muito exploradora. Vitor Fumaça continuou meu amigo. Mas, não pude evitar as gozações dos colegas, enquanto freqüentei o rancho de Maria da Cruz. Pois, toda vez que eu mandava uma pinguinha, sempre ouvia: _ Olha o Fumaça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário