sábado, 1 de dezembro de 2012

NO BAR

NO BAR Paulo Toledo Eu sempre gostei de um papo e de uma cervejinha, então, como essas coisas acontecem é no boteco, foi para lá que eu me mandei e lá permaneci, freqüentando-o assiduamente, durante um bom tempo. Mas, qualquer um pode perguntar: Por que boteco? Cerveja tem em casa e papo também. Respondo: A cerveja pode ser a mesma, mas a conversa em família tem que ser respeitosa e cheia de regras e a do botequim é totalmente desregrada, desbocada e, às vezes, até pornográfica, melhor dizendo: pura baixaria. No ambiente do boteco também aparecem os tipos mais estranhos e divertidos. Alguns até são interessantes e outros meio malucos. Tanto uns como os outros ajudam a animar a prosa. A entrada no bar é coisa solene, pois o freguês chega à porta como quem não quer nada, depois dá uma olhada no ambiente e se a sua turma ainda não chegou, começa a examinar a clientela e quase sempre acha alguém esperando companhia. Daí, já se estabelece o papo e a cerveja já vem. Se por acaso o cara não for uma mala, logo será admitido na confraria. Quando a turma está reunida a coisa pega fogo e se anima porque afloram todos os tipos de assunto: piadas, fofocas, notícias da cidade, política, religião, gozações e os comentários mais absurdos e engraçados do dia-a-dia da cidade, do país e do mundo. Agora, escrevendo estas coisas, bateu muito forte, dentro do meu peito uma saudade imensa da minha turma de bar, a nossa chamada confraria do Uiapurú, turma essa que era numerosa, mas que a maioria já está do lado de lá, tomando “umas e outras” com o velho São Pedro. Isso mesmo, enquanto aguarda os remanescentes, que do lado de cá, pela idade e condições físicas, em vez do boteco vão para a farmácia. Trocaram a cerveja por uma penca de remédios.

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