sábado, 29 de dezembro de 2012

O CIRCO

O CIRCO Paulo Toledo Respeitável público! Hoje eu vou falar do circo. Não existe Cirque Soleil, circo chinês, russo ou japonês. O melhor circo do mundo foi o “Circo Universo”, que tendo levantado sua lona, na metade do século passado, onde hoje esta a União Operária de Pouso Alegre, brindou a cidade com todo tipo de espetáculo: domadores e feras, trapezistas e palhaços, mágicos e ilusionistas, além de espetáculos dramáticos de palco e muita música e belas bailarinas. Mas, para completar isso tudo, ainda tinha a Amelinha, garota lindíssima, que de shortinho curtíssimo, atravessava o picadeiro sorrindo na corda bamba. Os meninos do internato do Colégio São José, que saiam direto para a função circense, ficavam babando, deslumbrados com tudo que era apresentado, para todos nós um encontro de magia e de sonhos. Mas, quando o circo desmontou a sua lona e partiu, a Amelinha permaneceu no imaginário da molecada por muito tempo. E, até hoje quando alguém daquela época procura o padrão de mulher bonita, lá vem na memória a malabarista da corda bamba. Naquele tempo era comum que algumas pessoas da cidade acompanhassem o circo quando ele partia para outras paragens. Alguns poucos viravam atores coadjuvantes e a maioria aceitava trabalhos mais modestos, função que na gíria circense era chamada de “amarra cachorro”. No entanto, a vida de liberdade e de mil novidades e costumes diferentes, proporcionada pela diversidade de lugares onde a lona era montada, atraia o espírito aventureiro de muita gente. Hoje eu fico pensando que aqueles meninos, em plena adolescência, que viviam trancados no internato, submetidos às filas diárias para a missa da manhã, para o refeitório, para as aulas, para a sala de estudo obrigatório e para o silêncio forçado no dormitório, após as oito horas da noite. Quando viram aquela explosão de vida e alegria no “Circo Universo”, ficaram convencidos que era ali que morava a felicidade. Então, se fosse possível, todos, sem exceção, partiriam com ele. Agora, tendo vivido uma montanha de anos, estou convencido que todos nós não fizemos na vida outra coisa a não ser nos transformar numa espécie de saltimbancos. E, se não seguimos com o circo na nossa juventude, nesses anos todos, domamos algumas feras, fizemos algumas mágicas e às vezes nos sustentamos pendurados em trapézios complicadíssimos. Não quero falar das ocasiões que nos sentimos como palhaços no centro do picadeiro. Então lá vai: “Hoje tem Marmelada? Tem sim senhor. Hoje tem goiabada? Tem sim senhor. E o palhaço o que é? É ladrão de mulher.”

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