quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

URUGUAIANA

URUGUAIANA Paulo Toledo Não eram os mosqueteiros e nem existia entre eles um Dartagnan. Eles eram tão somente os quatro Aspirantes que, formados pela Academia Militar, tinham escolhido a cidade de Uruguaiana para iniciar suas carreiras como oficiais do Exército. Muito Longe dos seus respectivos chãos, de suas famílias e enfiados na fronteira gaúcha com a Província de Corrientes na Argentina. Isso, na metade do século passado. Põe tempo nisso! No que me concerne (aprendi isto com o Jânio Quadros), o choque cultural e a Mudança de vida foi brutal. É só pensar em um rapaz de vinte e dois anos que teve uma vida até então super vigiada e controlada: seja pelo lugarejo em que nasceu e viveu em Minas, pelo internato no colégio e depois pela rígida disciplina militar do cadete das Agulhas Negras e de repente, começa a sentir que agora e naquele lugar é um oficial do “glorioso” Exército Brasileiro, então, por isso está sendo recebido de braços abertos pela sociedade local. Mas, voltando aos quatro, lá estão eles em Uruguaiana: Geraldo, Zé Pinto, Miguez e eu. Com algum dinheiro no bolso, livres, leves e soltos, em uma cidade cheia de lugares para gastá-lo. E, ainda bastava atravessar a ponte do Rio Uruguai para estar em Passos de Los Libres, cidade argentina onde nossa grana era bem valorizada. Então, essa foi a primeira grande compensação pela “ralação” que tivemos até chegar por aqui. No nosso quartel, que ainda era hipomóvel, tão logo nos apresentamos, cada um recebeu sua função, seu ordenança e sua montaria. Meu ordenança, soldado Tadeu, ficou então sendo o tratador do cavalo crioulo negro de nome corvo para mim distribuído. Esse soldado era um gaúcho da campanha, bom de papo e cheio dos ditos gauchescos engraçados, em pouco tempo ficamos amigos e ainda hoje me lembro de algumas comparações cheias de malícia feitas por ele. Dos quatro Aspirantes: Geraldo sumiu, desapareceu das minhas relações, coisa que deve ter acontecido por falta de afinidade mútua; Zé Pinto tornou-se um grande amigo, mas infelizmente faleceu ainda bem jovem, vítima de um acidente aéreo; Miguez vive em Belo Horizonte e está no seu segundo casamento. Do seu primeiro casamento eu não posso esquecer, porque fui eu que tive a honra de formalizar o pedido ao Seu Euclides, pai da noiva. De Uruguaiana quase tudo está apagado e o pouco que vem está borrado em minha memória. Porém, lá longe, muito longe, vem a figura da Leoní, minha namoradinha dos últimos tempos na cidade, menina que eu achava que seria a minha companheira para sempre. No entanto, voltando para Pouso Alegre, apareceu a Dona Regina...... (Bem, essa é uma outra história.)

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