terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O CAMELÔ

O CAMELÔ Paulo Toledo Quem se lembra do compositor Billy Blanco, deve se lembrar da letra de uma música sua que diz: O camelô esse dono da calçada, Na conversa bem jogada, Vende a quem não quer comprar,...... Ele é vesgo pois a profissão ensina, Ter um olho na esquina e outro no freguês, Assim de vez em quando escapa, Gozando a cara da “rapa” No entanto, na nossa cidade ele não precisa ser vesgo e nem ter medo de nada, ocupa toda a calçada e ainda reserva duas vagas de veículo para sua atividade. Creio que devemos respeitar o cidadão que trabalha para sustentar a sua família. Mas, às vezes eu me pergunto se não é um privilégio o fato de determinados indivíduos ocuparem espaços públicos para comercializar bugigangas, sem que sejam proibidos pela fiscalização municipal. Pergunto ainda, se por acaso, alguém que tivesse a coragem e se julgasse com iguais direitos, chegasse primeiro, na frente do privilegiado, colocando no mesmo local uma barraca de quinquilharias, coisas mesmo inúteis totalmente para a comunidade, parecidas com a do “dono” do espaço público, o que poderia acontecer com ele? O camelô atual teve a sua origem no mascate e no vendedor ambulante, que iam apregoando e vendendo os seus produtos de porta em porta. Nossa cidade teve dois exemplos muito representativos desses profissionais. Todos os antigos moradores de Pouso Alegre lembram-se do Biju e do Amendoim Torradinho da Avenida Dr. Lisboa. Essas figuras ficaram marcadas e queridas na nossa história e são lembradas com muita saudade. No entanto, os atuais camelôs, verdadeiros donos do centro da cidade, estão descaracterizando a Avenida e a Praça Senador José Bento, Tomaram conta de tudo e nesse “andar da Carruagem”, logo estarão cobrando pedágio nesses logradouros, dos intrusos demais moradores, que não compram as suas chorumelas, pinóias, titicas e bobagens, mesmo que custem ninharias, mixarias ou tutaméias. Pois é, não devemos menosprezar assim os camelôs, depois que um dos seus legítimos exemplares, o Sílvio Santos conseguiu despontar como grande empresário e o maior puxa-saco de governo, seja qual for. No entanto, também não podemos deixar que eles tomem conta da cidade, pois nela vivem milhares de pessoas e não só eles. Para finalizar, puxando a braza para minha sardinha e vendo a situação atual da Praça Senador José Bento, que ainda funciona como local de encontro e convivência de velhos aposentados, pergunto que tal trocar os seus camelôs por uma equipe de urbanistas?

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