terça-feira, 3 de novembro de 2009

A ANDORINHA E O MORCEGO

A ANDORINHA E O MORCEGO

Paulo Toledo


__Eu não gosto de urubu.
__Eu também não gosto.
Este diálogo meio maluco e muito pouco ecológico, inicia esta estória, mas ela terá um final inusitado, “podes crer”.
O cenário é uma pensãozinha, na cidade de Juiz de Fora, às margens daquele riacho fedorento e poluído que corta a cidade.
Os protagonistas do diálogo, verdadeiramente a altura do acontecido: Tião Pindó e Dito Peão, ambos operadores de dinamite, um do Exército, outro empregado de uma pedreira produtora de pedra britada.
Tião Pindó era cabo do Exército e tinha o apelido de cabo doido, portanto dispensa maiores apresentações.
Dito Peão, começou a vida como domador de burro bravo e ferrador, no norte de Minas: Januária e Maria da Cruz, aonde chegou matar uma mula, “redomona”, com um soco na nuca e com um frase que ficou famosa naquelas bandas: “você pode ser mais inteligente do que eu, mas, mais forte você não é”.
Tião e Dito se encontraram pela primeira vês na tal pensãozinha lá de Juiz de Fora, quando o Comando da Região Militar determinou que todo pessoal , civil ou militar, que estivesse lidando com explosivos, estavam obrigados a fazer lá na Região um curso, de como manipular os ditos cujos. Assim, Cabo Doido foi escalado pela sua unidade militar e Dito peão pelo seu patrão da pedreira.
Eu ia me esquecendo de um detalhe muito importante. Ou seja, para economizar dinamite do Exército, cada “aluno” civil tinha que levar para o curso o seu “material didático”. Conseqüentemente, do jeito que o diabo gosta, já na sexta feira anterior ao início do curso, no mesmo quarto de pensão, lá estavam os dois marginais. Um deles com uma caixa de dinamites pavios espoletas etc... Embaixo da cama.
Quando guardava o material explosivo, Dito ainda brincou com o companheiro recém conhecido.
__Será que vai ter dever de casa?
Teve....
O curso só ia começar na segunda feira, então os novos amigos, de sábado para domingo, caíram na maior gandaia. Depois, numa ressaca de matar, sentados placidamente na sacada da pensão olhavam par um bando de urubus pousados enfileirados, no muro da pensão.
__Eu não gosto de urubu. Diz Dito Peão.
__ Eu também não gosto. Faz coro Cabo Doido.
__ se você pegar um eu “explodo” ele.
__ perai!
Cabo Doido sai se esgueirando pelo muro a fora, bem devagarzinho até dar um bote.
__Peguei dois! Grita ele.
Recolheram-se para o quarto, colocaram um dos bichos amarrados de baixo da cama e atocharam uma banana de dinamite no fiofó do outro.
__ põe um pavio grande e vamos soltar ele lá fora pra ver oque que dá.
__Tá legal.
Foi um espanto, a pobre ave saiu voando, meio desengonçada e explodiu no ar, causando a maior confusão nas redondezas.
Que foi, que aconteceu, indaga todo mundo?
__Meu companheiro explode urubu com os “Zóio” diz Cabo Doido. Se alguém duvida vamos casar uma aposta.
Casadas as opostas lá vai o segundo bicho, só que agora com um pavio bem maior, para aumentar o suspense. A ave, com aquele enorme pavio aceso pendurado, dá duas voando no ar e pousa no telhado da pensão.
PUUUUMMMM!!!
Uma baita explosão. m buracão no telhado da pensão. Polícia, cadeia etc....
È por isso que se diz: “ Andorinha que acompanha morcego amanhece de cabeça pra baixo.”

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