domingo, 1 de novembro de 2009

BALANÇO

BALANÇO Paulo Toledo Congonhal era um lugarejo encravado na Serra do Cervo à beira do rio do mesmo nome, no sul de Minas Gerais. O lugar não tinha a menor importância para Minas, para o País ou para o Mundo. Mas, era ali o lar “carinhoso e amigo” de três meninos e duas meninas. Raiava o ano da graça de 1940 e no dia 12 de Janeiro o pai dos pequenos ia fazer 40 anos. O aniversário paterno, como os demais, naquela casa, era sempre comemorado com muita simplicidade. Mas, um fato muito especial marcou definitivamente aquela data na memória do menino mais novo, que até então não tinha feito seu oitavo aniversário. 40 anos naquela época, para todo mundo era a velhice e senilidade total. Então, o irmão mais velho, chamou os dois outros e comentou mais ou menos assim: “olha aqui seus moleques, o nosso pai vai fazer 40 anos, está velho e não tem mais muito tempo de vida. Então, nós temos que criar vergonha na cara, levar à sério a nossa vida e os nossos estudos, senão o nosso futuro será ficar capinando e plantando arroz aqui na vargem do Rio Cervo, como fazem os marmanjos e os rapazes deste lugar. Como irmão mais novo, tenho certeza que o meu caríssimo irmão mais velho estava muito bem intencionado. Mas, para alegria e sorte de todos, ele errou redondamente na previsão da vida de nosso pai, pois ele teve uma vida simples e tranqüila até chegar aos 90 anos. Quanto ao resto, ninguém pode avaliar o que teria sido melhor para aqueles meninos. Ficar na simplicidade da vida do Congonhal ou partir mundo à fora. Como a escolha que fizemos foi a da segunda hipótese e decorridos mais de 70 anos daquela data, deixo aqui um balanço, curto e grosso, de nossas vidas. Francisco, formou-se em direito e tornou-se um advogado muito conceituado, foi Subprocurador Geral da República e depois Ministro do Tribunal Superior de Justiça, foi autor de diversos livros em sua área. Ferdinando, formou-se em Medicina e com grande prestígio pratica sua profissão em Volta redonda, onde mora até hoje. Paulo, não vai contar vantagem, mas não tem do que reclamar na vida, beirando os 80 anos. Pensa muito em Congonhal e no antigo Rio Cervo, não para capinar arroz na sua vargem, mas para lembrar das pescarias de lambari que fez nele próprio. As meninas Marina e Miriam, são totalmente independentes, o que é muito bom, moram em Belo Horizonte e também no coração, hoje encharcado de remédios, deste pobre contador de “causos”.

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