terça-feira, 3 de novembro de 2009

BENZIMENTO DO RABO VERDE

: BENZIMENTO DO RABO VERDE

Paulo Toledo

Seu Antônio era uma figura folclórica de Pouso Alegre e sua presença, na avenida principal da cidade, fazia parte da paisagem local, onde despontava a sua figura marcante, sempre com um saco cheio de bugigangas às costas e as roupas em frangalhos.
Seu Antônio era então o alvo predileto dos moleques, que se divertiam fustigando-o com o apelido que era detestado por ele e que o levava além da loucura.
Assim, quem o chamava de Rabo Verde, se sujeitava a uma saraivada de impropérios, que iam desde o xingamento mais sutil, ao palavrão mais cabeludo, com “louvações” a respectiva progenitora. Não raro também, quem o molestava podia ser alvo de uma certeira pedrada, ou atingido por outro qualquer objeto que ele encontrasse por perto.
Seu Antônio, vulgo Rabo Verde era então uma fera. Mas, em determinados momentos se transmutava em uma pessoa terna e mansa, para benzer seu semelhante.
Então, quando alguém lhe pedia um benzimento, ele colocava a mão direita na fronte do pedinte, quando muito compenetrado dizia:


“ Caifais, São Tomais,
Ferrabrais, Sassafrais!
Tirai o azar desse irmãozinho,
E, joga lá pra trais,
Pras profundeza das água do mar
Onde o galo num canta
E,a galinha num vem botar
Cuim! Cuim! Coisa ruim!
Luz! Luz! Lucifer!
São! São! Sombração!
Tirai o poder
Dessas treis pessoa
Que não são
Da Santíssima Trindade
Diminué! Diminué! Diminué!
Mizeré! MIzeré! Mizeré!
Chuí, chuí, Chuééé.......... “
Rabo Verde deixou muitas estórias engraçadas e surpreendentes na cidade. Mas é uma pena que ninguém possa saber como foi seu ajuste de contas com a pessoa que lhe colocou o apelido, lá no lugar onde se encontram. Porém, uma coisa é certa, deve ter dado boa briga

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