sábado, 1 de dezembro de 2012

NO BAR

NO BAR Paulo Toledo Eu sempre gostei de um papo e de uma cervejinha, então, como essas coisas acontecem é no boteco, foi para lá que eu me mandei e lá permaneci, freqüentando-o assiduamente, durante um bom tempo. Mas, qualquer um pode perguntar: Por que boteco? Cerveja tem em casa e papo também. Respondo: A cerveja pode ser a mesma, mas a conversa em família tem que ser respeitosa e cheia de regras e a do botequim é totalmente desregrada, desbocada e, às vezes, até pornográfica, melhor dizendo: pura baixaria. No ambiente do boteco também aparecem os tipos mais estranhos e divertidos. Alguns até são interessantes e outros meio malucos. Tanto uns como os outros ajudam a animar a prosa. A entrada no bar é coisa solene, pois o freguês chega à porta como quem não quer nada, depois dá uma olhada no ambiente e se a sua turma ainda não chegou, começa a examinar a clientela e quase sempre acha alguém esperando companhia. Daí, já se estabelece o papo e a cerveja já vem. Se por acaso o cara não for uma mala, logo será admitido na confraria. Quando a turma está reunida a coisa pega fogo e se anima porque afloram todos os tipos de assunto: piadas, fofocas, notícias da cidade, política, religião, gozações e os comentários mais absurdos e engraçados do dia-a-dia da cidade, do país e do mundo. Agora, escrevendo estas coisas, bateu muito forte, dentro do meu peito uma saudade imensa da minha turma de bar, a nossa chamada confraria do Uiapurú, turma essa que era numerosa, mas que a maioria já está do lado de lá, tomando “umas e outras” com o velho São Pedro. Isso mesmo, enquanto aguarda os remanescentes, que do lado de cá, pela idade e condições físicas, em vez do boteco vão para a farmácia. Trocaram a cerveja por uma penca de remédios.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TENENTE ROSSI

TENENTE ROSSI Paulo Toledo “O melhor espelho é um velho amigo” e “Eles entram na vida da gente e deixam sinais”. Essas duas belas frases sobre os amigos se aplicam perfeitamente à amizade que dediquei ao Tenente Rossi. Militar aposentado, professor de Educação Física, pai de cinco belas meninas, figura popular de Pouso Alegre, pescador fanático e “frasista" de primeira linha. Ele era também conhecido por Rossão, pelo seu porte avantajado. No entanto, todo mundo sabia que o seu coração era tão grande como ele próprio e por isso sua casa e seu rancho de pescaria viviam rodeados de amigos. Meus primeiros contatos com sua figura ímpar aconteceram no Colégio São José do Diretor Cônego Aurélio, antes dos Padres Pavonianos, onde eu era um menino interno e ele aparecia por ocasião do7 de Setembro, para treinar a molecada para o desfile na avenida. Depois, já adulto, como ele era vizinho do meu pai, a paixão paterna e minha pela pescaria foi o elo que nos uniu, pois ele era amigo de todos os pescadores dos rios de Pouso Alegre e adjacências e não recusava um convite para voltar à beira do rio, mesmo que dela tivesse chegado naquele momento. Aprendi a pescar e gostar de tudo que se refere às pescarias com o Tenente Rossi, mais do que isso, se hoje eu arrisco fazer uma macarronada ou outra iguaria qualquer, é porque eu estou tentando imita-lo. Tenho ainda guardadas na memória, algumas pérolas do seu divertido fraseado. Então lá vai uma: Depois de uma discussão em casa, com sua esposa Dona Ritinha que teve o apoio das meninas, Seu Rossi desabafou: “na minha casa só dá mulher, só tem dois machos eu e um pé de mamão lá no fundo do quintal, até o papagaio fala fino”. Esse era o Tenente Rossi............Quanta saudade! Curtir ·

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"PUTZGRILA"

“PUTZGRILA”! Paulo Toledo Quando li “Os Sertões” do genial Euclides da Cunha, tive a primeira e completa descrição do que é o fanatismo, sentimento extremo que toma conta do ser humano e o leva, muitas vezes, para conseqüências trágicas. Confesso que aquela leitura foi de uma importância fundamental para que tentasse entender também como o fanatismo político pode se transformar em dogma e religião. Estou escrevendo estas coisas e pensando em uma frase famosa de Karl Marx: “A história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Caso o co-autor do “manifesto comunista”, como profeta, não estiver equivocado mais uma vez, pois profetizou o fim do capitalismo, então, depois da tragédia do Antônio Conselheiro, estamos assistindo uma farsa, cujo farsante e palhaço principal esta mais do que evidente. A dolorosa história de Antônio Conselheiro, de Belo Monte e de seus seguidores, ficou magistralmente registrada por Euclides da Cunha, mostrando como um povo miserável e ignorante pode transformar um líder visionário e maluco no “messias”, que conduzira todos os crentes para o paraíso. Então, esta seria a tragédia da primeira vez. O que está se passando na atualidade brasileira e todos nós estamos assistindo de braços cruzados, parece estar concretizando a profecia marxista. “Putzgrila”! Então, é a farsa da segunda vez.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VIGILANTE NOTURNO

VIGILANTE NOTURNO Paulo Toledo Fiquei sabendo hoje, por um panfletinho colocado na minha caixa de correspondência, que a partir do dia 10 de Dezembro, um trabalhador autônomo que se diz vigilante noturno, passará na minha casa recolhendo um donativo de natal. Esse tal panfletinho é uma verdadeira jóia de coisa bem bolada, pois pode ser distribuído em todas as casas, em todas as ruas e bairros da cidade. Depois o Sr. Arlindo, que o assina, vai passando e arrecadando a quantia que o contribuinte resolver destinar à sua importantíssima atividade. Como eu não conheço o Sr. Arlindo, não senti a sua presença no meu bairro e nem ouvi o seu tradicional apito de vigilante noturno, deste mato não sai coelho. Mas, vamos imaginar que uma pequena porcentagem de moradores da cidade acredite no Sr.Arlindo. Daí ele vai faturar alguma coisa e sai no lucro. No passado, (olha eu aí, de novo, voltando pro passado), na minha rua tinha, de fato, um guarda noturno que fazia um “bico” circulando de bicicleta pelo bairro e apitando para anunciar a sua presença. Esse cidadão era remunerado mensalmente pelos moradores e até tornou-se amigo da minha família. Porém, (sempre tem um porém), em uma manhã, o vigilante estava no portão da minha casa querendo um prosa comigo. Isso me deixou apreensivo por pensar que, naquela madrugada, algo de anormal tivesse acontecido com o meu patrimônio. Ledo engano, quem tinha sofrido um dano patrimonial, tinha sido o próprio vigilante. Pois, dormiu no serviço e ficou sem a bicicleta. Depois disso, perdeu o “bico”.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

VITOR FUMAÇA

VITOR FUMAÇA Paulo Toledo Conheci, nestes longos anos de vida, gente da mais variada espécie e alguns foram meus diletos amigos. Nesse grande elenco tinha gente: alta, baixa, gorda, magra, negra, branca, mulata, velha, moça, bonita, feia e etc... A maioria desse povaréu levava uma vida quase que normal. Porém, o Vitor Fumaça se destacava. Ele era diferente e especialíssimo. Mas, para mim, como amigo leal e companheiro de pescaria era insubstituível. Vitor possuía um rancho de pescaria às margens do Rio Sapucaí, no qual tudo foi feito por ele próprio, desde a alvenaria, a carpintaria e as outras coisas mais. Esse rancho era super rústico, possuindo apenas o conforto necessário para abrigar a tralha de pescaria e para que os pescadores pudessem executar um peixe frito ou ensopado, dependendo da pesca do dia. Esse era o Vitor Fumaça que eu conhecia, sem saber que no passado ele tinha sido ligadíssimo na cachaça e que depois do primeiro gole ele mudava completamente. Ficava outro. Então, ignorando esse detalhe importante e pensando em retribuir a sua parceria do Sapucaí, convidei-o para uma pescaria, de uma semana, no Rio São Francisco, com os meus companheiros do rancho de Maria da Cruz. No primeiro dia no Velho Chico, fomos eu e ele no barco, eu no piloto e ele na poita, como de costume. Ms, eis que de repente, no meio daquele rio enorme, dentro do barco, eu senti um forte cheiro de cachaça, viro para ele e pergunto: _Por acaso Vitor, tem “cangibrina” por aqui? Ele responde: _Eu não bebo. Mas, eu vi, lá do outro lado do rio, um pescador no barranco, com uma garrafa de pinga louca de fedida. Depois dessa resposta absurda, voltamos para o rancho. E, à noite, desconfiado do seu estado etílico, ele foi deixado no rancho, aos cuidados do Tonho, zelador do rancho. Portanto fora da pescaria. Quando voltamos da pescaria noturna, Tonho nos esperava à beira do barranco e foi logo dizendo: _O Fumaça aprontou. Em resumo. Vitor Fumaça tinha feito um verdadeiro comício na porta do rancho. Quando juntou gente ele disse, entre outras coisas, que teve uma “puta” decepção com a porcaria do nosso rancho, pois o dele no Sapucaí tinha três andares e uma pista de pouso para helicóptero, condução que ele usaria caso voltasse a Maria da Cruz. E, para finalizar alertou os presentes para que se cuidassem com os pescadores de Pouso Alegre, pois era gente muito exploradora. Vitor Fumaça continuou meu amigo. Mas, não pude evitar as gozações dos colegas, enquanto freqüentei o rancho de Maria da Cruz. Pois, toda vez que eu mandava uma pinguinha, sempre ouvia: _ Olha o Fumaça.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ELEIÇÔES 2012 ELEIÇÕES ANTIGAMENTE

ELEIÇÕES 2012 X ELEIÇÕES DE ANTIGAMENTE Paulo Toledo Fiquei velho e por isso já passei por uma “chuvarada” de processos eleitorais. Eles sempre despertavam a idéia e a esperança de que: agora sim, vamos escolher o melhor vereador, prefeito, governador e presidente. Todos voltados para o bem comum e o puro ideal de bem governar a nossa cidade, estado e país. Tive algumas alegrias, poucas é verdade. Mas, também tive uma “enxurrada” de decepções e tantos desenganos que, por estar desobrigado pela idade, sequer fui atrás das máquinas de votar nesta eleição de 2012. Aliás, só notei que a eleição aconteceu, por causa de um foguetório inútil e de uma sujeira monumental que emporcalhou esta cidade. É bom lembrar que na quinzena anterior às eleições, pela ação da prefeitura, a cidade recebeu um mutirão de limpeza e tapação de buracos. Terminado o processo, senti que a imundice da cidade também tinha incomodado ao Gilson Costa, meu amigo do facebook. Então, me restou a esperança que tenha servido de lição para aqueles que desperdiçaram muita grana só para sujar a cidade e, como não foram eleitos, não poderão gozar as delícias do “árduo” trabalho de vereador que, entre outras coisas, terá que nos representar na fiscalização dos atos do prefeito e de seu secretariado, coisa muito difícil. Mas, por falar em eleição, vem a idéia de cidadania (ou a falta dela). Daí, este velho eleitor fica pensando até que ponto se desenvolveu a cultura política do nosso povo, ao verificar que com a urna eletrônica a coisa não mudou muito, pois hoje se vota, com exceções é claro, para atender um pedido ou ordem de alguém. Então não é diferente da época dos currais eleitorais, dos cabos eleitorais e do voto de cabresto. A propósito, nas eleições de antigamente, o máximo que se pode imaginar em voto de cabresto, era executado por um antigo e famoso cabo eleitoral de um dos bairros de nossa cidade. Ele recolhia o título do eleitor e só o devolvia na porta da seção eleitoral, acompanhado de um envelope fechado que continha as cédulas dos candidatos que ele queria eleger. Ai então dizia pro eleitor; _Vai lá e coloca esse envelope na urna. E se por acaso o eleitor perguntasse em quem estava votando ele respondia: _ O que você quer saber é impossível. O voto é SECRETO, meu companheiro.

sábado, 10 de novembro de 2012

EU DESISTO

EU DESISTO Paulo Toledo _”Desta vez é pra valer. Eu parei, não quero saber mais de política e nem admito que se toque nesse assunto, nesta casa ou na minha presença Assim ele falou no dia seguinte das eleições, em Morada Alegre, depois da terceira derrota sofrida como candidato a vereador. Aí, então, foi quase que aplaudido pela família. Nas duas primeiras vezes que ele se candidatou, pensava que era coisa de aprendizado e que ia adquirir muita experiência para a cartada final da terceira vez. Naquelas ocasiões só defendeu idéias, projetos que achava indispensáveis para a cidade e que a sua população merecia. E, ainda teve um detalhe: quase não gastou grana com propaganda. Compra de votos, nem pensar. No entanto, agora ele não se conformava com a votação ridícula que teve, muito menor do que das outras vezes, apesar do apelo, do empenho, da dedicação e da enorme despesa que teve, usando as mesmas armas dos seus concorrentes, inclusive fazendo alianças até com gente corrupta, safada e ordinária. Conhecendo a sua dor e decepção e querendo mostrar o seu exemplo negativo para as pessoas de bem, eu, aqui do meu canto, fico pensando se é justo e descente esse sistema de escolha dos nossos vereadores e fico na dúvida se essa gente que vai para a Câmara teria interesse no cargo, caso o mesmo não fosse remunerado. No passado, Morada Alegre, teve um vereador, amigo do prefeito, que nunca manifestou uma opinião, nunca apresentou um projeto ou coisa que o valha. Sempre votava ficando em pé, ou permanecendo sentado, conforme fosse o pedido do Presidente. Então, diziam na cidade que ele votava com a bunda. Mesmo assim, ele representava o seu povo e era remunerado pelas suas bundadas.